Comida da Terra na Mesa do Povo promove formações de manejo agroecológico em comunidades quilombolas de Castro Alves-BA
Oficinas sobre criação de abelhas sem ferrão e galinhas da terra reuniram agricultores e agricultoras das comunidades quilombolas Riacho da Légua e Timborinha, em Castro Alves (BA)
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Agricultores e agricultoras das comunidades quilombolas Riacho da Légua e Timborinha, em Castro Alves (BA), participaram, no dia 21/10, de oficinas de manejo de abelhas sem ferrão e galinhas da terra. Realizada na associação comunitária do Riacho da Légua, a atividade integra as ações do projeto Comida da Terra na Mesa do Povo: Agroflorestas, quintais e biointerações, executado pela Cooperativa de Profissionais Autogestionados do Campo e da Cidade (COOPEMARC).
Conduzidas pelo agroecólogo e coordenador do projeto, Cláudio Lisboa, e pela zootecnista Júlia Fernandes, as oficinas promoveram o intercâmbio entre conhecimentos técnicos e saberes tradicionais, com orientações voltadas ao fortalecimento da produção agroecológica nas unidades familiares. A articulação comunitária contou com a colaboração do agente mobilizador e diretor financeiro da Coopemarc, Gilson Filho.
A iniciativa busca integrar a criação de animais de pequeno porte aos quintais produtivos e aos Sistemas Agroflorestais (SAFs), valorizando práticas tradicionais e ampliando as possibilidades de produção de alimentos, geração de renda e conservação ambiental nas comunidades beneficiadas.
Manejo animal e fortalecimento da produção familiar
Na oficina de galinhas da terra, foram abordados aspectos relacionados às instalações, à nutrição e aos cuidados necessários para a criação das aves nos quintais familiares. A formação também discutiu alternativas para diversificar a alimentação dos animais, aproveitando recursos disponíveis nos quintais e nas agroflorestas, de maneira planejada e adequada às necessidades da criação.
A proposta busca contribuir para a redução da dependência de rações comerciais e dos custos de produção, além de fortalecer a autonomia das famílias agricultoras. A criação tradicional de galinhas caipiras, também chamadas de galinhas de quintal ou de terreiro, representa uma prática cultural e produtiva importante para a economia comunitária e para a segurança alimentar e nutricional.
A zootecnista e facilitadora da oficina de galinhas da terra, Júlia Fernandes, destaca a importância de aproximar o conhecimento técnico das experiências já desenvolvidas pelas comunidades. “O objetivo é agregar tanto os saberes técnicos quanto os saberes da comunidade, já existentes, e traduzir essa confluência no fortalecimento da economia, no cultivo de um alimento bom, saudável e de qualidade.”
Na atividade dedicada à meliponicultura — criação de abelhas nativas sem ferrão —, o manejo desses insetos foi abordado a partir de suas possibilidades produtivas e de sua contribuição para o equilíbrio dos ecossistemas. Integradas aos quintais e aos SAFs, as abelhas favorecem a polinização de frutíferas e de outras espécies vegetais, contribuindo para a biodiversidade e a produtividade dos sistemas de cultivo. Com o manejo adequado, a atividade também pode agregar valor à produção familiar por meio de produtos e subprodutos, como o mel, a cera e a própolis.
Para Cláudio Lisboa, agroecólogo e coordenador do projeto, a integração dessas criações aos sistemas agroecológicos contribui tanto para a produção de alimentos quanto para a conservação ambiental e o fortalecimento da agricultura familiar. “Associamos a importância da criação de abelhas sem ferrão, de abelhas nativas, e também de galinha da terra, na perspectiva do modelo tradicional de criação de galinhas, fortalecendo a agricultura familiar, mas articulando de forma direta a importância dessas duas criações na manutenção do próprio agroecossistema e dos quintais produtivos também.”
O coordenador também destaca o papel da assistência técnica no acompanhamento das famílias, especialmente no enfrentamento de dificuldades relacionadas ao manejo e à sanidade animal. Nesse processo, as oficinas incluem a troca de experiências entre os participantes e o mapeamento das condições locais para planejar a implantação das unidades produtivas nas comunidades.
Adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento comunitário
A integração entre a criação de animais de pequeno porte, os quintais produtivos e os sistemas agroflorestais também responde a desafios enfrentados pelas comunidades de Castro Alves-BA, como a intensificação dos efeitos climáticos, a escassez de água nos períodos de estiagem e as dificuldades para manter a produção agrícola e animal.
Para Cláudio Lisboa, agroecólogo e coordenador do projeto, o uso dos recursos técnicos disponíveis deve contribuir para apoiar as comunidades diante dessas transformações e fortalecer sua organização coletiva. “O projeto chega na perspectiva também de auxiliar, fazer com que a gente utilize o que temos de recurso técnico para fortalecer a comunidade nessa empreitada, no enfrentamento desses impactos, dessas mudanças e também potencializar a organização comunitária.”
Aprendizado e valorização dos saberes comunitários
Para os participantes, a formação representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos e fortalecer iniciativas produtivas nos territórios. Durante as oficinas, agricultores e agricultoras puderam compartilhar experiências e conhecer orientações sobre cuidados com as aves, identificação de problemas sanitários e práticas de manejo.
O líder comunitário da Timborinha, pescador e agricultor Gilson da Conceição Santana, ressaltou os aprendizados proporcionados pela oficina e a importância da iniciativa para a comunidade.“Eu sou do campo e não sabia muita coisa, como tratar das doenças das galinhas. Aprendi muito hoje e fiquei muito contente. Meu dia foi muito proveitoso.”
A agricultora Daiane Gonçalves Santana, moradora da comunidade Riacho da Légua, também destacou a importância de receber ações formativas no território. “Foi um momento muito especial, principalmente para ampliar os conhecimentos sobre a criação de galinhas e abelhas e compartilhar essas informações com outras pessoas da comunidade.”
A realização das oficinas reafirma a importância da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) na construção de alternativas produtivas adaptadas às realidades locais. Ao articular formação, acompanhamento técnico e valorização dos conhecimentos tradicionais, o projeto busca fortalecer a autonomia das famílias, a economia comunitária e práticas sustentáveis de produção e convivência com o território.
Ciclo de oficinas segue até novembro
A atividade realizada em Castro Alves integra um ciclo de oficinas de manejo de animais de pequeno porte previsto pelo projeto Comida da Terra na Mesa do Povo: Agroflorestas, quintais e biointerações. As formações, dedicadas à meliponicultura e à criação de galinhas da terra, serão realizadas até o final de novembro nas comunidades beneficiadas pelo projeto na Bahia e no Paraná.
As oficinas constituem uma etapa de preparação para a implantação dos sistemas produtivos nas unidades familiares. Além das atividades formativas, a iniciativa prevê acompanhamento técnico para o diagnóstico, o planejamento e a execução de arranjos que integrem quintais, Sistemas Agroflorestais e criação animal. O projeto também contempla ações de ATER e a aquisição de máquinas, equipamentos, serviços e outros recursos necessários à implantação e ao acompanhamento das atividades produtivas.
O projeto Comida da Terra na Mesa do Povo: Agroflorestas, quintais e biointerações é executado pela COOPEMARC por meio do Termo de Fomento nº 985502/2025 e integra o programa nacional Da Terra à Mesa Brasil, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).








