COOPEMARC inicia formações em manejo de animais de pequeno porte na Bahia e no Paraná
Formações começaram na Bahia e, no Paraná, estão previstas a partir de 14 de novembro, integrando criação animal, quintais produtivos e sistemas agroflorestais para fortalecer a produção familiar e a organização comunitária
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O projeto Comida da Terra na Mesa do Povo: Agroflorestas, quintais e biointerações iniciou um ciclo de oficinas de manejo de animais de pequeno porte nas comunidades beneficiadas pela iniciativa na Bahia. As formações abordam a criação de abelhas nativas sem ferrão, conhecida como meliponicultura, e a criação tradicional de galinhas da terra, também chamadas de galinhas caipiras, de quintal ou de terreiro. No Paraná, as atividades estão previstas para começar a partir de 14 de novembro.
Executado pela Cooperativa de Profissionais Autogestionados do Campo e da Cidade (COOPEMARC), o projeto busca integrar a criação animal aos quintais produtivos e aos Sistemas Agroflorestais (SAFs), contribuindo para diversificar a produção das unidades familiares, fortalecer a economia comunitária e ampliar as possibilidades de produção de alimentos.
As oficinas integram as ações de formação e Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) desenvolvidas pelo projeto, aproximando conhecimentos técnicos das experiências e dos saberes tradicionais de agricultores e agricultoras. Além das orientações sobre manejo, as atividades incluem o mapeamento e o planejamento da implantação das unidades produtivas nas comunidades beneficiárias. O processo considera as experiências das famílias, as condições locais e as possibilidades de integração entre a criação animal, os quintais e os sistemas agroflorestais.
Nesse contexto, a meliponicultura representa uma possibilidade de diversificação produtiva e de fortalecimento dos sistemas agroecológicos. Integradas aos quintais e às agroflorestas, as abelhas sem ferrão contribuem para a polinização de árvores frutíferas e de outras espécies vegetais, favorecendo a biodiversidade e os serviços ambientais. Com o manejo adequado, a atividade também pode gerar produtos e subprodutos capazes de agregar valor à produção familiar.
Cláudio Lisboa, agroecólogo e coordenador do projeto, destaca a relação entre a criação animal, a produção de alimentos e a manutenção dos sistemas agroflorestais. “Então, associando aí a produção de alimento, a criação animal e a manutenção das agroflorestas, a polinização das fruteiras também, as abelhas são muito importantes para isso. A gente associa a importância da criação de abelhas sem ferrão, de abelhas nativas, e também da galinha da terra, na perspectiva do modelo tradicional de criação de galinhas, fortalecendo a agricultura familiar.”
Tais modelos de criação associam-se aos conhecimentos, às práticas culturais e à organização produtiva das famílias agricultoras. Além de contribuir para o abastecimento alimentar, o manejo desses animais de pequeno porte podem fortalecer a autonomia dos quintais e ampliar o aproveitamento dos recursos disponíveis nas unidades familiares.
Um dos desafios enfrentados por quem cria aves é o custo da alimentação e a disponibilidade de insumos de qualidade. Nesse contexto, o projeto busca estimular o planejamento de alternativas para complementar a nutrição dos animais com recursos provenientes dos quintais e dos sistemas agroflorestais, respeitando as necessidades nutricionais das aves e as condições de cada unidade produtiva.
A integração entre criação animal, quintais e SAFs pretende favorecer sistemas produtivos mais diversificados e sustentáveis, reduzir a dependência de insumos externos, fortalecer a capacidade das famílias de produzir alimentos e gerar renda em seus próprios territórios.
Formação e acompanhamento técnico para fortalecer a produção familiar
Além das oficinas, o projeto prevê acompanhamento técnico para o diagnóstico, o planejamento e a implementação de arranjos produtivos integrados, considerando as condições de cada comunidade e as potencialidades das unidades familiares. As ações incluem atividades formativas de ATER e a disponibilização de máquinas, equipamentos, serviços e outros recursos necessários à implantação e ao acompanhamento das iniciativas produtivas.
Ao articular formação, assistência técnica e valorização dos saberes locais, o projeto Comida da Terra na Mesa do Povo busca fortalecer as práticas agroecológicas, a segurança alimentar e nutricional, o bem-viver e a economia comunitária. A iniciativa reconhece a importância dos conhecimentos tradicionais na construção de alternativas sustentáveis para a produção de alimentos e para o enfrentamento dos desafios socioambientais nos territórios.
O projeto Comida da Terra na Mesa do Povo: Agroflorestas, quintais e biointerações é executado pela COOPEMARC por meio do Termo de Fomento nº 985502/2025 e integra o programa nacional Da Terra à Mesa Brasil, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).




